Homilia da Quinta Aparição de Nossa Senhora de Fátima

Prezados irmos e irmãs em Cristo, hoje é um dia importante, dentro o centenário das aparições de Nossa Senhora, em Fátima. Nós aqui nos reunimos, nesta réplica, que foi dedicada ao seu louvor, a sua veneração, e para realizar aquilo que Ela pediu e solicitou aos Pastorinhos. Hoje, celebramos esta missa em honra de Maria, com o título de Nossa Senhora Auxilio dos Cristãos. E o Evangelho nos apresenta Maria auxiliadora, solícita, numa ocasião muito festiva, de um casamento, em Caná da Galileia. O evangelista sublinha que Ela estava presente, e que Jesus fora convidado juntamente com os seus discípulos. A festa do casamento é sempre uma circunstância de muita alegria, não só para os noivos, mas também para os convidados e, especialmente, os seus familiares.

É muito importante pensarmos nessa primeira manifestação do Senhor – Diz o texto, ‘a manifestação da sua glória’ – Fazendo um sinal sensível, que nós podemos achar que é transforma-lo em vinho e dá muita importância a esse prodígio. Mas é o sinal da alegria, isso que é importante sublinhar. Porque o vinho na Bíblia significa alegria. Se bebe vinho é para ficar contente, e se bebe o vinho é para ficarmos contentes. Portanto, a alegria da festa daqueles noivos ficaria diminuída se faltasse, como parecia que estava acontecendo, o vinho de uma festa que, certamente, deveria durar uma semana.

Veja como a alegria é importante na nossa vida. E Jesus quer participar das nossas alegrias porque Ele é a causa principal da nossa alegria. E Jesus nos dá alegria verdadeira, aquela alegria que brota do seu Pai Deus; aquela alegria que brota também da terra dos frutos que cultivamos, que significam o nosso trabalho, que significa a nossa própria família, que significa tudo aquilo que nós realizamos, tudo aquilo que nos satisfaz, e tudo aquilo que dá sentido a nossa existência. Mas a nossa existência ela é marcada pela dor, pelo sofrimento, pelo fracasso, pela doença e pela morte. É muito interessante que faltou o vinho, e essa falta dentro de uma festa naquele tempo, sobretudo, naquela circunstância, seria algo que traria decepção, vergonha e inquietação. A vida é assim cheia de contrastes. E aí entra Maria, que também tem o título, de ‘causa de nossa alegria’. Porque Ela participa, intensamente, profundamente, da alegria de Seu Filho, e das alegrias da humanidade; Porque Ela é filha de um povo, Ela é filha de uma tradição, Ela é filha de uma cultura. Mas Ela é, também, filha da terra, essa terra que é dom de Deus; Ela é filha de Sião, nós sabemos, mas Ela é, também, filha, no sentido grande, amplo da palavra, filha do nosso mundo. E nosso mundo não tem só tristeza, nosso mundo tem também satisfações, nosso mundo possui muitos problemas, sempre houve e sempre haverá. Mas é preciso recuperar a alegria que existe, a alegria pura, a alegria verdadeira, e aquela alegria que é necessária e que só vem do Senhor. Por isso Ela intervém. E Ela intervém falando com Jesus – ‘Eles não têm mais vinho’. Quer dizer, eles não têm, mas Ele cria. Eles não têm mais razão para estarem juntos, festejando, eles não têm. Essa carência que Maria apresenta a Jesus é fundamental porque ela é nossa. Essa carência não é de Deus e nem é do Cristo. E essa carência não é d’Ela. Portanto, Ela apresenta a carência dos outros. Aí, eu começo a perceber, quase que aos poucos, engatinhando como uma criança faz, qual é o sentido primeiro da presença de Maria naquela festa, que significa dizer na nossa própria vida, e também em relação a Jesus, o Seu Filho. É verdade que Ele diz ‘o que nós temos a ver com isso’. Ele não diz para provoca-la, nem desanimá-la. Mas diz para nós porque Ele sabia, muito bem, que esse texto, um dia, seria lido e proclamado inclusive para nós, porque esse texto está sendo hoje lido e proclamado para nós. E Ela não pede absolutamente nada. Muitos dizem que Ela é intercessora, e de fato é, mas Ela não intercede. Ela simplesmente diz ‘Eles não têm mais vinho’. Apresenta uma realidade e não apresenta nenhuma solução. Ela diz a Jesus aquilo que Jesus sabia melhor que Ela. Mas Ela diz aos convivas e, portanto, está dizendo hoje a nós, a cada um de nós, e a mim também, alguma coisa. E essa coisa nada mais é que aquela frase: ‘Fazei tudo que ele vos dizer’.

A causa da nossa alegria, aquela profunda e espiritual, que não é uma alegria passageira, carnavalesca, superficial, uma alegria mundana. Isso nós podemos fazer, tranquilamente, e não precisamos dos céus, nem da intervenção de Jesus. Aquela alegria que o mundo não pode dar – ‘fazei tudo que ele vos disser’. Se nós realmente fizéssemos o quê Jesus nos ensina, não de modo superficial, mas de modo aprofundado, a partir do conhecimento, e a partir de uma adesão serena e tranquila, verdadeira, nós entenderíamos as Bem-aventuranças, que são felicidades e entenderíamos, como só Maria compreendeu, qual é a razão de tudo.

Essa cena do milagre que jesus fez, que João chama de sinal – é característica do quarto Evangelho chamar milagre de sinal – para revelar Jesus. Sinal sinaliza. No fundo, quer dizermos que Ele é esposo da humanidade, que a hora d’Ele ainda não tinha chegado, que é da nossa redenção que se dar na cruz. E para nos ensinar que a vida, que é tão bela, tão boa, ela é marcada pelo sofrimento e também pelas decepções e incompreensões. E assim, esse Evangelho, pelo menos relido dessa maneira, é como se fosse uma grande parábola, uma grande comparação da historia do mundo e, especialmente, da Igreja, que certamente da nossa história também.

Nossa Senhora é auxilio dos cristãos, como foi auxilio naquelas Bodas de Caná. E nós dizemos que Ela é refúgio dos pecadores, que Ela é consoladora dos aflitos. Essas formas que a ladainha nos apresenta para lhe dar títulos. E há tantos e tantos títulos marianos, alguns falam do Seu mistério, da Sua grandeza, e outros falam das nossas necessidades: Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora da Consolação, que são as nossas necessidades. Agora, qual o título que nós daríamos a Nossa Senhora? Ela merece um título nosso que ninguém precisa saber, aquele título com a qual eu converso com Ela, como minha mãe, como a minha companheira, como a minha amiga, a minha conselheira. Que título eu dou à Maria? Pode ser um título usual, ou um título que a Igreja já deu, mas é preciso fazer o meu. O contato com Maria há de ser o contato pessoal.

Esse mesmo evangelista colocou-a, em sua narrativa, aos pés da cruz. Ninguém fez isso. Se o quarto evangelista não tivesse escrito, nós não saberíamos que Ela estava lá de pé. Não estava assim torta, como certos pintores fazem, e até escultores. Ela estava de pé, com a nobreza de uma mãe que sofre, mas fica de pé; com a esperança de uma mãe que colocou toda a sua expectativa em Deus e na promessa que o filho dissera ‘no terceiro dia, vou ressuscitar’. Ela estava de pé. Ela não via a conclusão de nada. E esta mulher recebe, na pessoa de João, a nós todos – ‘Eis aí o teu filho’. E nós a recebemos como nossa mãe. Então é por isso que eu disse é preciso dar à ela uma palavra – Nossa Senhora – que é completada por mim. E essa palavra é insubstituível porque é minha e, portanto, é tua. E por que digo isto? Porque o texto termina assim ‘desde aquele instante o discípulo A levou para a sua casa’. Não é porque Ela não tinha para onde ir, não. É porque a relação com Maria, a partir daquele instante, é realmente filial. E nós levamos a mãe conosco. E quanto mais ela vai ficando velhinha, mais a gente leva conosco. A mãe não se põe no asilo. Quem põe a mãe no asilo é um “descarado”. E a mãe vai conosco até o fim. Não existe, absolutamente, o corte do cordão umbilical. Não existe. Quem faz isso é aquele que não foi filho de mãe. E não posso dizer de quem ele foi filho ou filha. Nós levamos a nossa mãe para sempre. Eu estou exagerando? E se a mãe morre, ela continua conosco. A mãe está aqui (o bispo toca na testa/mente), aqui (o bispo toca no coração), e em todo o nosso corpo. Isso é biológico e isso é psicológico. E assim, se Maria foi levada pelo Cristo, e se o Cristo levava Maria, tem muito significado para essa frase ‘o discípulo a levou para sua casa’. Na nossa casa, na nossa intimidade, no nosso bem querer, e também a nossa má vontade que, muitas vezes, temos. A nossa mãe está conosco e nós estamos com ela. Porque esse é o último dom que Jesus nos deu. Jesus nos deu tudo, tudo que Ele tinha de mais precioso, e tudo que Ele tinha de melhor, deu até a Sua Mãe.

Então a conclusão da mensagem das Bodas de Caná, com o milagre da transformação da água em vinho, se dá na cruz. Então que esse dia 13 de maio, que nos lembra que Nossa Senhora continua solícita no mundo, quando a Igreja está cheia de problemas, e a humanidade está se destruindo, ela aparece. Então que seja para nós uma reafirmação dessa nossa atitude diante d’Ela de pedir-lhe socorro, amparo e auxilio. E que Ela vai, certamente, como sempre fez, nos indicar Jesus nos abençoar e nos proteger. Amém.

2018-02-16T13:43:03+00:00setembro 15th, 2017|Formação, Homilias|Comentários desativados em Homilia da Quinta Aparição de Nossa Senhora de Fátima

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