Há 16 anos, morria o papa João Paulo II

Hoje completam-se 15 anos da morte de São João Paulo II, o papa que se tornou um dos mais importantes líderes mundiais do século XX. Vítima de mal de Parkinson e artrite, faleceu aos 84 anos após seu estado de saúde se agravar, comprometendo as funções renais e cardiorespiratórias. Nascido na Polônia, ele conduziu a Igreja Católica por mais de 26 anos – o terceiro pontificado mais longo da história da Igreja.

Nos dias que antecederam sua morte, milhares de fiéis se reuniram em vigília na Praça de São Pedro, rezando em voz alta para que João Paulo II pudesse ouvir. Segundo documentos do Vaticano, horas antes de falecer, o papa murmurou, em polonês: “Deixai-me ir à casa do Pai”.

O seu funeral foi acompanhado com emoção por católicos de todo o mundo. Participaram da cerimônia 75 chefes de estado. As pessoas esperaram mais de 24 horas para ver o corpo do pontífice. A grande movimentação decorrente do velório fez dobrar a população de Roma naquele período.

Origem

Karol Wojtyla nasceu em 18 de maio de 1920 em Wadowice, sul da Polônia. Tinha 19 anos quando os nazistas ocuparam o seu país, obrigando-o a interromper os estudos. Trabalhou como operário em pedreiras e também em uma indústria química. Neste período, participou de um grupo de teatro, interpretando papéis em peças de conteúdo patriótico. Em meio ao turbulento clima político local, chegou a ser fichado pela Gestapo, a polícia secreta do regime nazista.

O caminho até o pontificado

Em um período de profunda repressão ao catolicismo na Polônia, Wojtyla entrou clandestinamente para o seminário em 1942. Foi ordenado sacerdote quatro anos depois, aos 26 anos, e, em 1958, foi nomeado bispo auxiliar.

Ascendeu rapidamente dentro da Igreja, sendo nomeado arcebispo da Cracóvia em 1964 e, em três anos depois, quando tinha apenas 47 anos, nomeado cardeal – o segundo mais jovem da Igreja Católica.

Em 16 de outubro de 1978, tornou-se, aos 58 anos, o papa mais jovem do século XX e o primeiro pontífice não-italiano desde a eleição do holandês Adriano VI, em 1522.

Atentado

Era 13 de maio de 1981, aniversário da primeira aparição de Nossa Senhora de Fátima, quando João Paulo II sofreu um notável atentado. Ele circulava com o papamóvel pela Praça de São Pedro, quando recebeu dois tiros. O autor dos disparos foi o turco Mehmet Ali Agca. Um dos projéteis atingiu o pontífice no cotovelo direito e o outro, no indicador esquerdo, penetrando-lhe em seguida o abdômen. João Paulo II foi submetido a uma delicada cirurgia, que resultou na retirada de parte do intestino.

Um ano depois do atentado, João Paulo II visitou o Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Portugal, para agradecer à Virgem a intercessão que possibilitou a sua salvação e ofereceu ao local uma das balas que o atingiram. A bala foi, posteriormente, colocada na coroa da imagem de Nossa Senhora.

Protagonismo na queda do comunismo

Oriundo de um país afetado fortemente pela Guerra Fria, o papa São João Paulo II teve papel preponderante na na queda do comunismo na Europa. Sua atuação colaborou para o fim do regime na Polônia, movimento que provocou um efeito dominó, afetando em seguida a Hungria, a Áustria e, por fim, a Alemanha Oriental, levando à queda do Muro de Berlim em 1989.

Manteve uma articulação efetiva junto a diversos líderes mundiais. João Paulo II e o russo Mikhail Gorbachov protagonizaram, um mês depois da queda do Muro, um encontro histórico no Vaticano. A isso se seguiu a derrocada do regime comunista na Bulgária, na Tchecoslováquia, na Romênia e, 1991, por fim na União Soviética.