L O A D I N G

CRISTO REDENTOR (1931-1981)

O Cristo Redentor no Corcovado foi inaugurado no dia 12 de outubro de 1931, Solenidade da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. Para o Cardeal-Arcebispo, Dom Sebastião Leme da Silveira Cintra (1882-1942), não deveria ser uma estátua entre tantas que enfeitavam nossos parques e jardins. Haveria de ser a imagem de Jesus que traduzisse a fé católica.

Quanto à obra, ela é coletiva. Foi concebida pelo engenheiro brasileiro Heitor da Silva Costa, construída em colaboração com o escultor francês Paul Landowiski e seu compatriota o engenheiro Albert Caquot. A face é do escultor romeno Gheorghe Leonida. Para financia-la, houve a participação da população brasileira, sobretudo, dos cariocas e habitantes da então Capital da República.  O Cardeal interferiu apenas pela inclusão do coração, na imagem, levemente esculpido, a significar a união do divino e do humano em Cristo. No ato da bênção solene, consagrou ao Coração do Homem-Deus a Nação Brasileira.  

 Dom Leme era um líder empreendedor. À sua liderança devemos, além do Cristo Redentor, o Centro Dom Vital, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, a Obra da Adoração Perpétua e a Fazenda das Arcas do Seminário, em Itaipava.

Não havia ainda o diálogo religioso e ecumênico. Por isso, a imagem sofreu críticas e rejeições da Convenção Batista Brasileira como sendo promoção da idolatria do catolicismo romano. No entanto, teve apoio da maioria da população da então Capital Federal. Contribuiu, financeiramente, a pedido do Arcebispo. A propósito, por ocasião da comemoração dos seus 80 anos, Nelson Motta na crônica intitulada ‘Os Milagres do Cristo’ ponderou sobre as possíveis dificuldades se ela fosse erigida hoje: “certamente o Ibama e a Secretaria do Meio Ambiente não autorizariam a obra, pelos distúrbios que o gigantesco corpo estranho provocaria na fauna e na flora do Corcovado, pelas luzes e pelo movimento de pessoas que assustariam os animais silvestres, pelo abalo que provocaria no ecossistema, pela interferência na paisagem natural das montanhas emoldurando a Baía de Guanabara”. Enfim, arrematou e concluiu com boa dose de fina ironia: “Sob protestos das outras religiões e dos ateus, o Cristo Redentor teria de ser construído na Barra” (In: Revista Veja Especial, n. 2238, p. 90).

A imagem já compõe a Cidade do Rio de Janeiro juntamente com o bondinho do Pão de Açúcar. Embora o renomado arquiteto Oscar Niemeyer não apreciasse seu estilo Art Déco, os turistas a consideram bela, imponente e leve. Para muitos, indica recepção e acolhida ao visitante. Para os católicos, o Redentor abençoa a Cidade. Detalhe: com seu Corpo em cruz.

De dia, nublada ou iluminada pelo sol e, à noite, transfigurada de luz artificial, a imagem parece nos dizer: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8, 12).

Antes da pandemia, o Redentor recebia cerca de dois milhões de visitantes por ano que se admiram da vista da Cidade. São João Paulo II foi o mais ilustre, em 2 de julho de 1980. Acolhido como sendo o “João de Deus”, igualmente acolheu os habitantes do Rio. Na ocasião, do alto do Corcovado, pronunciou palavras inesquecíveis: “que cada homem possa encontrar Cristo, a fim de que Cristo possa percorrer com cada homem os caminhos da vida”.

 A esperança é que sendo a população imunizada, o Cristo Redentor volte a ser visitado sem restrições, o carioca possa trabalhar e divertir-se como antes da pandemia. Possa cantar e sorrir, apesar de tudo que o faz vulnerável e menos feliz. De fato, a vocação do Rio é o riso.

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