Como Jesus mandou

Caros amigos, a Igreja não é produto de uma decisão humana, mas nasceu do coração de Deus e, por isso, ela não deve dar passos sem fixar o olhar na vontade de Deus, que é como o útero onde foi gerada.

O papa Francisco começa o primeiro capítulo da Exortação Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho) dizendo: “A evangelização obedece ao mandato missionário de Jesus: ‘Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado’ (Mt 28, 19-20)” (n. 19). É importante recordar estas palavras fortes do Senhor que coloca toda a comunidade em um constante estado de missão.

Os pastores são os que primeiro devem dar testemunho de prontidão e fé! Para usar o oportuno neologismo do Papa Francisco, devem ser os que “primeireiam” (EG, 24), ou seja, tomam a iniciativa do desapego e do ardor missionário, onde quer que sejam enviados. Mas, detrás destes deve caminhar o restante do povo de Deus: “Cada cristão e cada comunidade há de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar o chamado: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho”. (EG, 20)

Sair para evangelizar é agir como Jesus nos mandou. Faz parte essencial do caminho da Igreja que os pastores tenham “cheiro de ovelhas” e que as “ovelhas” ouçam os seus pastores. Sem esta solicitude mútua não se realiza o “estado permanente de missão” que os tempos atuais precisam. O mundo precisa que as paróquias sejam mais do que uma “simples administração”, precisa de igrejas de portas abertas e agentes de pastoral dispostos à missão.

Sonho, como o Santo Padre, o Papa Francisco, “com uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo atual que à autopreservação” (EG, 27).

Quando nos disporemos realmente para agir e pensar com a mesma liberdade do Mestre? Quando nossas comunidades transformar-se-ão em luzeiros de santidade por “agir como Jesus mandou”? Esta fórmula simples, que lembra as palavras da Virgem Maria no Evangelho de São João (Cfr. Jo 2, 5), põe-nos, indubitavelmente, na direção da maior eficácia e da abundância de alegria e de paz.