As dificuldades do sim

Abalada pelas constantes perseguições, zombarias e pela hostilidade que sofreu até até mesmo por parte de sua própria família, a pequena Lúcia entregou-se ao desânimo e chegou a decidir não ir mais à Cova da Iria. Diante da insistência do primo Francisco, disse com veemência:

“– Não vou; já te disse que não volto mais.

– Mas que tristeza! Por que é que tu agora pensas assim? Não vês que não pode ser o demónio? Deus já está tão triste com tantos pecados e, agora, se tu não vais, fica ainda mais triste! Anda, vai!

– Já te disse que não vou; escusas de mo pedir” (Memórias da Irmã Lúcia, pág 145).

Quantos de nós também já dissemos “não” a Deus e a Nossa Senhora? Quantos, diante de um grande obstáculo ou de um desafio assustador, também não cedeu à fraqueza? Muitas vezes, eu mesmo me vi diante da tentação de desistir: enquanto buscava financiamento para a construção da Capela das Aparições, durante a organização de várias procissões da Tarde com Maria, quando o cansaço físico me fazia querer ficar na cama mais um pouco em vez de levantar para receber fieis no Santuário e abrir o bazar aos sábados, nas vezes em que foi difícil manter a cozinha ou a padaria funcionando para abastecer os nossos projetos sociais.

As pedras no caminho muitas vezes nos frustram e nos desencorajam. Mas precisamos lembrar que somos parte dessa missão tão importante de construção do Reino de Deus e da difusão da mensagem de Nossa Senhora de Fátima! Nós também somos chamados, todos os dias, a dizer sim, a entregar-nos de corpo e alma.

Precisamos deixar que aquela luz que a Virgem infundiu no peito dos pastorinhos na Cova da Iria também chegue a nós e nos sustente. Devemos receber o sopro do Espírito Santo, renovador e repleto de esperança. Lembremos o que disse Francisco: se tu não atendes, Deus, já tão machucado com os pecados da humanidade, fica ainda mais triste.