A graça pela intercessão

Todos nós, católicos, sofremos, em maior ou menor grau, perseguição ou preconceito por causa de nossa fé. Comentários maldosos nas redes sociais, algum tipo de discriminação no trabalho ou nos círculos sociais, um olhar “atravessado” ou, quiçá, alguma agrressão física ou verbal. Quando isso acontece, precisamos sempre nos lembrar de que não estamos sós. Se até Lúcia fraquejou quando foi criticada pela família e pela comunidade, o que dirá nós.

Apavorada com a pressão que sofria fora e dentro da própria casa, Lúcia chegou a cogitar não voltar mais à Cova da Iria:

“Depois da ceia, já noite, [Francisco] voltou ainda a minha casa, chamou-me à velha eira e disse-me:

– Olha: tu amanhã vais?

– Não vou; já te disse que não volto mais.

– Mas que tristeza! Por que é que tu agora pensas assim?

Não vês que não pode ser o demónio? Deus já está tão triste com tantos pecados e, agora, se tu não vais, fica ainda mais triste! Anda, vai!

– Já te disse que não vou; escusas de mo pedir.

E meti-me bruscamente em casa.

Passados alguns dias, dizia-me:

– Credo! Aquela noite não dormi nada; passei-a toda a chorar e a rezar, para que Nossa Senhora te fizesse ir.” (Memórias da Irmã Lúcia, pág 145).

Como qualquer ser humano, afrontada pela perseguição e pelos frequentes interrogatórios, a pequena Lúcia sucumbiu ao medo. É aí que entra o poder da intercessão e da graça de Deus. O jovem Francisco passou a noite a rezar, pedindo que a Virgem Santíssima desse forças à prima, que lhe sustentasse o ânimo! A fé de Francisco, alimentada por um amor desmedido, plantou no coração de Lúcia a dádiva da coragem. Através da intercessão do rapaz, a pastorinha recebeu a graça da confiança e da determinação.

Da mesma forma nós, quando fraquejamos, também podemos recorrer à força da intercessão! Nós não somos perfeitos. Somos fracos, mas em Deus somos fortes. Somos mentirosos, mas em Deus somos verdadeiros. Somos doentes, mas em Deus temos saúde. É em Deus que toda coisa acontece. Este é o grande milagre!