20/02: dia dos Santos Pastorinhos

Hoje celebra-se o dia dos Santos Pastorinhos de Fátima: os irmãos Francisco e Jacinta Marto – as “duas candeias que Deus acendeu para iluminar a humanidade nas suas horas sombrias e inquietas”, como os classificou São João Paulo II. Ao lado da prima Lúcia, eles testemunharam as aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria em 1917 e deixaram para a humanidade um legado de fé e devoção.

Nascidos na localidade portuguesa de Aljustrel e criados em uma família extremamente católica, tinham em casa o exemplo da fé e da caridade. Eram ainda pequenos – Jacinta tinha 6 e Francisco, 8 anos – quando começaram a pastorear o rebanho dos pais na região da Cova da Iria. Após aceitar o convite feito pela Mãe Santíssima de oferecem-se a Deus, viveram dedicados a Nosso Senhor e ao Imaculado Coração de Maria.

Ambos morreram ainda na infância, pouco tempo depois das aparições, como havia anunciado Nossa Senhora em junho de 1917: “a Jacinta e o Francisco levo-os em breve. Mas tu [Lúcia] ficas cá mais algum tempo”.

Jacinta

A mais nova dos três pastorinhos era uma criança expansiva e carinhosa. Durante as aparições, quando tinha apenas 7 anos de idade, conseguia ver e ouvir Nossa Senhora, mas não podia falar com ela. Foi fortemente impactada pelas aparições, sendo tomada de compaixão pelos pecadores e afligindo-se com os agravos ao Imaculado Coração de Maria. Passou a viver uma vida de sacrifícios, que oferecia diariamente a Ele. Assim como o irmão, foi vitimada pela epidemia da gripe espanhola. Chegou a ser internada em duas ocasiões, mas a doença acabou vencendo. Morreu em 20 de fevereiro de 1920, a poucos dias de completar 10 anos, em um hospital em Lisboa, longe de sua família. Foi enterrada em Vila Nova de Ourém e, em 1951, seu corpo foi trasladado para a Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima.

Francisco

Nasceu em 11 de junho de 1908. Durante as aparições, ele apenas conseguia ver a Virgem, sem conseguir ouvir o que ela dizia ou falar com ela. Tomado por uma serenidade incomum, era o mais contemplativo dos três pastorinhos. Movido pelo desejo de consolar o coração de Jesus, Francisco passava longos períodos isolado e imerso em oração. Cerca de um ano depois da última aparição, ele contraiu a gripe pneumônica (popularmente conhecida como gripe espanhola). No dia 02 de abril de 1919, confessou-se e recebeu a comunhão pela última vez e veio a falecer dois dias depois, em casa e de forma tranquila. Foi sepultado no cemitério de Fátima e, em 1952, seus restos mortais foram levados para a Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima.

Em 13 de maio de 1989, a igreja reconheceu, por meio do decreto do então papa João Paulo II, a heroicidade das virtudes e a maturidade de fé de Jacinta e Francisco, concedida pela primeira vez a crianças não-mártires, passando os dois pastorinhos a serem veneráveis. Em 13 de maio de 2000, foi celebrada a beatificação de ambos. Eles foram canonizados no Santuário de Fátima em 2017, durante a celebração do Centenário das Aparições, em missa presidida pelo papa Francisco.

Como parte do processo de canonização de Jacinta e Francisco, a Igreja aceitou como milagre a cura de um menino brasileiro. Em 2013, Lucas, então com 5 anos, caiu de uma janela a uma altura de 6,5 metros. A criança perdeu parte do tecido cerebral no lóbulo frontal direito e ficou em coma. Sua cura foi atribuída aos dois pequenos pastorinhos.